A quase dez anos Tereza Kolontai defende a bandeira da natureza. Virou ambientalista voluntária e criou com as próprias mãos a Reserva Ecológica de Tauá, projeto cultural, arqueológico, antropológico e geológico. A época da aposentadoria (era Procuradora da República) coincidiu com a ECO 92. Tereza tinha um terreno e queria vendê-lo. Quando caminhava pela área, soube por um biólogo da biodiversidade do local. Havia encontrado um verdadeiro nicho ecológico em frente ao Pântano da Malhada. A praia fóssil foi descoberta por acaso, numa das escavações. Uma das prioridades de Tereza é tornar a Reserva, que tem apenas quatro empregados, em centro de referência botânica para a realização de pesquisas científicas.
A partir daí, não parou de procurar autoridades da área e freqüentar eventos ligados ao meio ambiente. No ano passado, por exemplo, participou da Exposição Universal Mundial, em Hannover, Alemanha. O último encontro com ambientalistas foi em outubro, quando participou da Ecolatina, evento que reuniu mais de 15.00 pessoas em Belo Horizonte. Uma das bandeiras que carrega é a proteção das restingas de Arraial do Cabo à Macaé. O dia desta mulher obstinada, que já pintou e expôs ao lado de Picasso em Paris, começa antes das 6 da manhã, quando já está na Reserva. Durante 7 anos morou numa pousada ao lado, para facilitar o trabalho. Tirou capim e abriu trilhas. Em época de seca, comprou água de carros-pipa para abastecer os lagos. Toca tudo sozinha, sem patrocínio algum. Já plantou 280 mudas de plantas que ela mesmo desenvolveu a partir de sementes. Sobre a sua cabeça sobrevoam todos os dias 83 espécies de pássaros.
Mas a paixão de Tereza é a bromélia, primeiro vegetal a se instalar na região. A defensora da natureza define a planta como "figura mãe da natureza" e, quando chove, o cálice da planta se enche de água e surgem algas raras, só existentes em Búzios e no Polo Ártico. Estima-se que 40% das 1.300 espécies de bromélias existentes no Brasil estão em Tauá. No Bosque da Restinga, através das trilhas de Tauá, encontra-se enorme diversidade de bromélias, cactáceos e exóticos cipós. É um labirinto verde de muito mistério, com vários recipientes cheios de frutas para alimentar os animais silvestres ao longo do caminho. É possível ver mãos-peladas, cachorros-do-mato, macacos-prego, cotias, tatus...
A Reserva ocupa aproximadamente três milhões de metros quadrados, repleta de formações de vegetais típicos da região que serve de abrigo e pousada para aves migratórias. Aves, como a quero-quero, percorrem 2400 quilômetros para chegar a Búzios. Segundo Tereza, os nômades foram os primeiros ambientalistas a cultivar mandioca no Pântano da Malhada. Outro aspecto intrigante é a praia fóssil, que existiu entre 4.500/7.500 a.C. e foi coberta pelo mar. No período quaternário, quando o mar se retraiu, a praia ressurgiu.
Procurando resgatar a cultura brasileira, a ambientalista construiu uma oca indígena com os objetos confeccionados pelos próprios índios guarani. Batizada de Casa da Reza, a construção consumiu 10.800 palhas de palmeira guaricanga, taquaras e varetas amarradas com casca de árvore. Aprofundando-se nas pesquisas, Tereza soube que o Pântano da Malhada foi habitado por tribos nômades e depois pelos tupinambás.
Outro projeto interessante foi a Casa da Farinha, onde a casa original datava do século XIX e pertencia a uma fazenda da região. A transferência para a Reserva foi artesanal: todo o material foi transportado e a casa reconstruída como a original. Já a Casa da Arte, inauguração prevista já para o começo de 2002, será um dos maiores acervos de artistas plásticos da região. Tereza adquiriu pessoalmente todas peças.
A intrigante formação com janelas, nasceu quando Tereza morava em lugares onde não se podia ver o pôr-do-sol. Chegou a moldar pedaços de bambus para ver o entardecer da janela imaginária. Quando houve a queimada, aproveitou o local para criar a sua janela. Junto com um amigo artista plástico resolveu "enquadrar" o sol e criou, sem querer, um observatório astronômico, aprovado pelo astrônomo Ronaldo Mourão.
Para captar mais energia, está sendo construída a Praça do Sino, com o sino de bronze que adquiriu na Ecolatina. Segundo a ambientalista, o som do sino interfere em diversas camadas da natureza.
Reserva Ecológica de Tauá
Os passeios são guiados, desde que agendados previamente;
A entrada é grátis, mas Tereza pensa em cobrar um taxa simbólica para manutenção do parque; O parque funciona das 8 às 18 horas, para que as pessoas possam assistir o pôr do Sol.
Como chegar: Bairro da Rasa, pegue uma via secundária, mais três quilômetros de estrada de terra.
Contatos: Caixa Postal 112.363 - CEP: 28.950-970 - Búzios - Rio de Janeiro
E-Mail: kolontai@reservataua.com.br ou reservataua@yahoo.com.br
Website: www.reservataua.com.br